
Levando em consideração a possibilidade de independência financeira que pessoas com deficiência podem obter pelo esporte, neste texto trazemos alguns dados oficiais apresentados pelo Ministério do Esporte e pelo Comitê Paralímpico Brasileiro para que se entenda o contexto nacional de investimento de recursos na área.
Antes de abordar esses números, entretanto, apresentamos que modalidades são praticadas com mais frequência por esses atletas.


A partir dessas informações, listamos, adiante, alguns marcos legais que norteiam a destinação dos investimentos que serão aqui discutidos:

- Institui o Bolsa-Atleta, destinada prioritariamente aos atletas praticantes do esporte de alto rendimento em modalidades olímpicas, paralímpicas e surdolímpicas;
- Os valores dessa bolsa são fixados em tabela:

Segundo o Ministério do Esporte, em 2025, 9.207 atletas foram beneficiados, sendo 435 na categoria Bolsa Pódio.
O jornalista e ex-paratleta Ronilson Almeida destaca, porém, que a maioria dos atletas com deficiência acabam tendo que custear o esporte por conta própria, abreviando a carreira de muitos deles
“Atletas que dependem do BPC (Benefício de Prestação Continuada) não conseguem dar conta de comprar materiais, conseguir uma boa alimentação, comprar bons suplementos. Isso impacta diretamente no desempenho desses atletas. Sabemos da situação econômica do Maranhão, não é fácil, mas muitos desses rapazes e moças que seguem para a prática esportiva com o tempo acabam desistindo justamente por conta dessa falta de incentivo.”
Mesmo assim, atletas brasileiros com deficiência vêm conquistando muitos títulos importantes, mesmo diante dessas dificuldades. No quadro abaixo, apresentamos um panorama a respeito:

Embora não se possa determinar a relação única e direta, é perceptível que o aumento no investimento no principal recurso destinado para esses atletas – a bolsa – caminha conjuntamente com o melhor desempenho das delegações brasileiras nas mais importantes competições internacionais.
A desproporcionalidade de distribuição de recursos destinados entre COB e CPB, conforme já mostrado, evidenciam a necessidade de repensar aqueles percentuais (85% e 15% respectivamente), principalmente quando é perceptível a existência de investimento privado em diversas modalidades amparadas pelo COB, o que não é tão expressivo nos esportes paralímpicos.
Rever os percentuais destinados ao CPB não representa retirar do esporte olímpico, mas sim corrigir uma discrepante assimetria que contradiz os princípios de equidade que deveriam nortear a política esportiva nacional. Esse investimento é, portanto, promover inclusão, proporcionar representatividade e consolidar um modelo de esporte verdadeiramente para todos.
Texto de Sâmia Martins
Quer saber e discutir mais sobre este e outros assuntos, acesse o site do Observatório de Inclusão e Economia.
