
Audiodescrição da imagem: desenho colorido de diversas modalidades paralímpicas. FIm da descrição.
O Brasil é referência mundial na formação de atletas, tanto que, nos últimos anos, o Brasil tem dominado os campeonatos mundiais, até mesmo nas Paralimpíadas, por conta desse trabalho que é realizado pela CBDV – Confederação de Desporto para Deficientes Visuais – e também o CPB – Comitê Paralímpico Brasileiro, tudo isso através da lei de incentivo ao esporte.
Mas quando a gente traz esse recorte para os estados, essa realidade é diferente. Atletas que dependem do BPC (Benefício de Prestação Continuada) não conseguem dar conta de comprar materiais, conseguir uma boa alimentação, comprar bons suplementos. Isso impacta diretamente no desempenho desses atletas.
Sabemos da situação econômica do Maranhão, não é fácil, mas muitos desses rapazes e moças que seguem para a prática esportiva com o tempo acabam desistindo justamente por conta dessa falta de incentivo.
Acredito que empresas privadas, principalmente, deveriam olhar com um pouco mais de carinho para essa situação, acho que falta muito isso. Aqui no nosso estado, por mais que tenhamos talentos, mas as empresas optam por investir em outras áreas, não exatamente nas modalidades paralímpicas.
Temos o Jardiel que está na seleção brasileira, inclusive tem título paralímpico. Já tivemos também o Marcos Rogério e outros atletas que participaram das fases de treinamento da seleção por conta desse desempenho em competições nacionais, mas a gente ainda está muito distante de uma realidade em que se possa viver somente do esporte.
Eu mesmo larguei o golbol por conta dessa falta de apoio. Acho que a gente consegue trabalhando bastante, consegue, mas o Maranhão ainda está muito atrás de outros estados, que por mais que tenhamos alcançado o pódio recentemente com o CDMAC, com a ESCEMA, falta muito esse incentivo, não só por parte da iniciativa privada, mas também por parte da iniciativa pública.
Deveria haver mais políticas públicas, um incentivo maior para que outras pessoas adotem a prática esportiva que é muito importante. Fui atleta de golbol por muitos anos e sei o quão a modalidade foi importante para mim. Conquistei muitas coisas, não cheguei a conquistar títulos, mas pro meu desenvolvimento enquanto pessoa com deficiência me ajudou e muito.
Com esses incentivos poderemos conseguir melhorar a iniciação dos nossos atletas, a preparação dos nossos jogadores que estão sempre representando o estado e assim eles consigam levar o nosso estado a voos maiores.
O talento daqui é indiscutível e a galera vai muito por amor, só que para você praticar o esporte e viver somente com o BPC é inviável. Então, havendo o incentivo com uma bolsa pra você investir em alimentos, em materiais esportivos, esses atletas podem chegar a uma seleção brasileira. Sei que muitos deles sonham com isso, mas ainda é uma realidade muito distante.
Texto de Ronilson Almeida.
Ronilson Almeida é Jornalista formado pela Universidade Federal do Maranhão com pós-graduação em Comunicação e Marketing em Mídias Digitais. Ex-atleta de goalball, ele tem deficiência visual e hoje trabalha na área em que se formou.
E-mail para contato: ronilson2050@gmail.com
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