Minha história #12 – Arte e Cultura

Imagem gerada via Adobe Firefly.

Antes de falar sobre acessibilidade como estrutura, é preciso olhar para as pessoas que dão sentido a essa luta. Nos arraiais, nas danças, nas músicas e nos personagens da cultura popular, pessoas com deficiência também constroem memória, identidade e pertencimento.

Elas não estão apenas na plateia: também ocupam o palco, vestem personagens, emocionam o público e mostram que a cultura maranhense se fortalece quando reconhece todos os corpos, vozes e formas de expressão.

Nesta edição, a seção Minha História apresenta duas trajetórias que ajudam a compreender o que significa inclusão na prática: Rosilene Maria Alves e Leandro Santos, integrantes do Bumba-Boi Mimoso da APAE de São Luís.

Eles mostram que a arte pode ser caminho de autonomia, alegria e protagonismo. Por meio da dança, da brincadeira e da tradição do bumba-meu-boi, eles afirmam um direito fundamental: o de participar da cultura não apenas como espectadores, mas como artistas e fazedores da festa.No palco, o direito de ser protagonista.

Rosilene Maria Alves, de 60 anos, chegou à APAE de São Luís ainda criança, aos 6 anos de idade. Pessoa com deficiência intelectual, ela encontrou na instituição não apenas um espaço de cuidado e aprendizagem, mas também um caminho para viver a cultura maranhense como protagonista.

Hoje, Rosilene é Catirina do Bumba-Boi Mimoso da APAE de São Luís, grupo cultural criado em abril de 1995 com o objetivo de promover inclusão social, expressão artística e valorização da cultura popular entre jovens e adultos com deficiência.

Rosilene Maria Alves como Catirina foto: Matheus Henrique.

Para Rosilene, representar o Maranhão nos festivais Nossa Arte é motivo de orgulho. Ser Catirina, segundo ela, é um privilégio. “Inclusão é isso: permitir que pessoas com deficiência estejam onde elas quiserem, façam o que quiserem e mostrem a cultura do Maranhão. A pessoa com deficiência tem voz e vez”, afirma.

Além do Boi Mimoso, Rosilene também participa todos os anos do Bloco Tradicional da APAE de São Luís durante o Carnaval. Mas é como Catirina que ela diz se sentir mais feliz. No personagem, ela sobe ao palco, interage com o público e ocupa um lugar de destaque na brincadeira. “Ali eu sou estrela”, resume. Para ela, a arte é uma forma de mostrar ao público que pessoas com deficiência também produzem cultura, emocionam, encantam e têm o direito de aparecer.

Rosilene defende que mais espaços sejam abertos para apresentações de pessoas com deficiência. “A arte é cultura, e a cultura tem que ser mostrada. A pessoa com deficiência precisa aparecer”, reforça.

Outro integrante do Bumba-Boi Mimoso é Leandro Santos, de 26 anos. Também pessoa com deficiência, ele participa das apresentações do grupo em diferentes funções. Em algumas ocasiões, é vaqueiro; em outras, interpreta Pai Francisco ou assume o papel de Miolo do Boi.

Para Leandro, a dança representa liberdade, alegria e pertencimento.Foi na APAE de São Luís que ele aprendeu a dançar e a se apresentar. Com o Boi Mimoso, já representou o Maranhão em festivais culturais e afirma que estar no palco com os amigos é uma forma de mostrar ao público o talento desenvolvido nos ensaios.

Para ele, cada apresentação é também uma oportunidade de afirmar que pessoas com deficiência têm capacidade, expressão e presença artística.“O palco também é nosso”, diz Leandro.As histórias de Rosilene e Leandro mostram que inclusão cultural não se limita à presença de pessoas com deficiência na plateia.

Quando há oportunidade, apoio e reconhecimento, elas ocupam o centro da cena, preservam tradições, fortalecem a cultura popular e mostram que acessibilidade também significa garantir o direito de criar, dançar, cantar, brincar e ser visto. E para conhecer um pouco desse trabalho, acesse o link a seguir para conferir BOI MIMOSO DA APAE NO ARRAIÁ DA CIDADE – PRAÇA MARIA ARAGÃO (25/06/2023)

Texto de Gabriel Bartowski

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