Inclusão em números #9 – planos de carreira

Imagem em fundo preto com várias expressões numéricas escritas com giz branco. Fim da descrição.
Fonte: imagem gerada pela IA Adobe Firefly.

Atualmente no Brasil, cerca de 26,6% das pessoas com deficiência estão ocupadas no mercado de trabalho, segundo dados do IBGE (PNAD Contínua 2022). Quando olhamos para cargos de liderança, esse número cai drasticamente: menos de 2% das pessoas com deficiência ocupam posições de chefia, conforme levantamento do Ministério do Trabalho e Emprego (RAIS 2021).

Esses números já indicam um ponto central: o acesso ao mercado ainda é limitado, mas o crescimento dentro dele é ainda mais restrito.

Quando esses dados são analisados com mais profundidade, a inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho brasileiro revela avanços importantes, mas também limitações estruturais que ainda persistem.

De acordo com a RAIS (2021):

  • a maior concentração de vínculos formais de pessoas com deficiência está na região Sudeste, que reúne cerca de 48% dessas contratações
  • em seguida aparecem as regiões Sul, com aproximadamente 20%
  • e Nordeste, com 18%
  • já o Centro-Oeste e o Norte apresentam índices mais baixos, com cerca de 8% e menos de 6%, respectivamente.

Esse recorte regional evidencia que a inclusão ainda acompanha desigualdades históricas do país, refletindo diferenças no desenvolvimento econômico, acesso à educação e políticas de empregabilidade.

No entanto, o principal ponto de atenção não está apenas no acesso ao mercado, mas na permanência e, principalmente, no crescimento dentro das organizações.

Dados do Instituto Ethos (2020) mostram que apenas 1,3% dos cargos executivos são ocupados por pessoas com deficiência. Quando ampliado para cargos de supervisão e coordenação, esse número ainda permanece abaixo de 5%.

Na prática, isso significa que, embora haja entrada, há pouca mobilidade. Grande parte desses profissionais permanece em funções operacionais, sem acesso a planos estruturados de carreira ou oportunidades reais de ascensão.

A legislação brasileira, especialmente a Lei de Cotas, foi fundamental para ampliar a presença de pessoas com deficiência no mercado formal. No entanto, os dados indicam que a inclusão ainda ocorre de forma inicial, sem necessariamente garantir desenvolvimento profissional ao longo do tempo.

Texto de Victória Chaves.