Inclusão em números #10 – Cuidadores

Fundo preto. Fórmulas e gráficos escritos com giz branco.
Imagem gerada via Adobe Firefly.

Quanto custa o cuidado?

Acordar mais cedo para preparar tudo, rotina de translado diário para demandas de saúde e educação, ainda tem os afazeres em casa com a pessoa a ser cuidada e as atividades domésticas. A sobrecarga de tarefas na vida de cuidadores – de pessoas com deficiência, neste recorte – pode causar impactos físicos e mentais, além de afetar a estabilidade financeira devido à falta de saúde e tempo para se dedicar a outras atividades.

Observando essa situação, o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) – em parceria com a Escola Nacional de Administração Pública e a Fundação Oswaldo Cruz – criou o DataCuidados, um painel cujos indicadores apresentam dados sobre cuidados no Brasil.

Para esta discussão, destacamos 3 tabelas desse painel: 

Fonte: DataCuidados.

 Na imagem, há um gráfico de linhas que mostra que mulheres gastam mais que o dobro do tempo do que homens em trabalhos domésticos e de cuidados. Mesmo que essa diferença venha diminuindo desde o ano de 2001, ainda em 2019 – último registro – a diferença ainda está em cerca de 22 horas semanais para mulheres e 11 horas semanais para homens. Fim da descrição.

No gráfico acima, já é apresentada uma primeira informação importante sobre o perfil dos cuidadores: a prevalência de mulheres nessa atividade. Isso é confirmado pelo gráfico a seguir.  

Fonte: DataCuidados.

 Na imagem, há um gráfico de barras verticais que mostra que independentemente da idade dos filhos (0 a 14 anos), o impacto das responsabilidades é expressivamente maior sobre as mulheres. Fim da descrição.

Destaca-se que neste outro gráfico não se restringe a dados de cuidados com pessoas com deficiência, mas a figura da mãe como principal impactada pelas responsabilidades com o cuidado é mais uma informação relevante para o perfil que se quer destacar aqui.

Fonte: DataCuidados.

Na imagem, há um gráfico de barras verticais que mostra que independentemente da renda, o tempo dedicado semanalmente para trabalhos domésticos e cuidados praticamente não varia para os homens, mas sempre é maior para as mulheres. Além disso, quanto menor a renda,  maior é o tempo dedicado para essas atividades. Fim da descrição.

Mais uma vez, a mulher ganha destaque nesta temática e este último indicador mostra como é a relação gênero/renda é diferente para homens e mulheres, uma vez que mesmo nas famílias com maior renda, ainda são elas as que dedicam mais horas semanais ao cuidado. 

Abordando agora dados específicos sobre cuidado com pessoas com deficiência, trazemos um estudo realizado por pesquisadoras do Laboratório de Ergonomia e Saúde do Núcleo de Estudos e Pesquisas Epidemiológicas em Fisioterapia e Saúde do Centro de Ciências da Saúde da UFPB no ano de 2010, em que foi verificado o seguinte perfil sociodemográfico de cuidadores: 

Fonte: imagem criada com IAG Notebook LM a partir do estudo citado tendo como prompt apenas o idioma (língua portuguesa), design rascunho e que o conteúdo fosse o recorte da tabela 1. 

Imagem que destaca o perfil dos cuidadores com destaque para as maiorias: Feminino 92,2%; Solteiro(a) 43,1%; Grau de parentesco Mãe 68,6%; Escolaridade Ensino Fundamental incompleto 47,0%; Profissão Dona de casa 66,7%. Fim da descrição.

Embora não tenha foco na economia, mas na saúde, este estudo traz informações importantes que se relacionam ao financeiro das família, isso porque além de ratificar que o grupo de cuidadores de pessoas com deficiência é composto majoritariamente por mulheres e mães, ainda informa que elas enfrentam altos níveis de estresse físico e emocional devido à rotina de assistência, além da baixa escolaridade devido ao longo tempo dedicado ao trabalho de cuidado diário, o que prejudica significativamente o bem-estar psicológico desses cuidadores, causa exaustão e negligência com a própria saúde em favor de terceiros, geralmente filhos. 

A reflexão que queremos destacar neste texto é de que o trabalho incessante dessas pessoas deve ser amparado por políticas públicas que observem o quanto a necessidade de dedicação integral ao cuidado pode inviabilizar o ingresso no mercado de trabalho, até mesmo ter o próprio negócio. E esse amparo não se refere apenas a questões econômicas, mas também às ações voltadas para saúde, autoestima, efetivamente de cuidado com quem cuida.

Uma iniciativa interessante que parece caminhar para isso é Plano Nacional de Cuidados Brasil que Cuida (Lei nº 15.069/2024), cujo objetivo é focar em acolhimento emocional, saúde mental e capacitação de pais/responsáveis, com planos de ação divididos em eixos com investimentos específicos de 2024 a 2027:

  • Eixo 1. Garantia de direitos e promoção de políticas para quem necessita de cuidados e para quem cuida de forma não remunerada – R$ 24,5 bilhões;
  • Eixo 2. Compatibilização entre o trabalho remunerado, a educação e as necessidades familiares de cuidados – R$ 57 milhões;
  • Eixo 3. Trabalho decente para trabalhadoras domésticas e do cuidado remunerado – R$ 59 milhões;
  • Eixo 4. Reconhecimento e valorização do trabalho de cuidado em suas múltiplas expressões e transformação cultural rumo a uma organização social dos cuidados mais justa – R$ 22 milhões;
  • Eixo 5. Governança e gestão do Plano Nacional de Cuidados – R$ 357 milhões.

Saiba mais sobre esse Plano clicando aqui

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Texto de Sâmia Martins