
Olá, Saudações Inclusivas!
Sou Nanah Paz, tenho 47 anos, sou uma mulher com deficiência física e utilizo cadeira de rodas. Sou ativista e militante na causa da pessoa com deficiência há quase 20 anos. Estou como coordenadora de cultura do Coletivo de Mulheres com Deficiência do Maranhão e sou fundadora e presidente do Instituto Cultural de Avanço da Pessoa com Deficiência do Maranhão.Nesses meus quase 20 anos de atuação no segmento da pessoa com deficiência, percebi a necessidade de políticas públicas para a comunidade da pessoa com deficiência. Políticas nas áreas da educação, saúde, esporte, lazer e cultura que não sejam somente realizadas pela sociedade civil, mas sim feita em parceria (sociedade civil e os legisladores).
Com o passar dos anos, tornou-se imprescindível para nós, pessoas com deficiência, termos os nossos representantes na área da política parlamentar/partidária.
Quando uma pessoa com deficiência chega ao mandato, ela leva para o plenário vivências que a maioria dos vereadores, deputados e prefeitos não vivem no dia a dia. E isso muda tudo.
Quem vive barreira arquitetônica sabe onde a rampa está errada. Quem depende de transporte adaptado sabe que “acessível” no papel não é acessível na rua.
Ter PcD eleita faz com que leis sobre acessibilidade, saúde, educação inclusiva e trabalho não fiquem só bonitas, elas viram fiscalização, orçamento e execução.Política ainda é vista como lugar de ‘corpo perfeito‘. Ver uma pessoa com deficiência decidindo orçamento, discursando, negociando, mostra pra sociedade e pras crianças com deficiência: ‘eu também posso’. Isso muda a autoestima de uma geração inteira.
Sem representante, a verba pra acessibilidade, Libras, esporte paralímpico, tecnologia assistiva é sempre a primeira a ser cortada.
Com uma pessoa com deficiência na câmara/assembleia, tem alguém pra perguntar: ‘e as pessoas com deficiência? Esse projeto as inclui?’.Democracia só é plena quando todos os grupos estão na mesa. Se 23,9% da população brasileira tem algum tipo de deficiência – segundo dados do IBGE – mas esse grupo não decide, as políticas são feitas “para” e não “com” eles.
Ter Pessoa com Deficiência eleita não é ‘cota de boa vontade’. É garantir que 1 em cada 4 brasileiros tenha voz nas decisões que afetam diretamente as nossas vidas.
Quer discutir mais sobre representação política de pessoas com deficiência? Leio o boletim #14 do Observatório de Inclusão e Economia clicando aqui.

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